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INTRODUÇÃO ÀS DOUTRINAS BÍBLICAS
INTRODUÇÃO ÀS DOUTRINAS BÍBLICAS

DISCIPLINA:

INTRODUÇÃO ÀS DOUTRINAS BÍBLICAS

 

 

 

LIÇÃO 1 

 

  1. NASCE A IGREJA!

 

A Igreja Reunida após a assunção de Cristo aos Céus.

“Ficai em Jerusalém até…”

 

As doutrinas bíblicas são matérias centrais para todos os estudantes da Bíblia, pois onde há estudo sistemático bíblico, há a necessidade de estarmos com nossa base firmada na rocha, pela qual Cristo Jesus é o único fundamento. Seja qual for a denominação, o estudo sistemático da Bíblia não deve ser um impecílio ou estorvo para o cristão, pelo contrário, ele deve sentir-se estimulado a servir melhor sua igreja local e não se voltar contra a sua denominação.

A guisa de iniciarmos o nosso estudo, é importante definirmos duas palavras do âmbito religioso: Extremista e Radical.

→ Extremista. Pessoa que não ouve ou aceita outra verdade ou parâmetro de sua religião em comparação a outras, afastando-se e repelindo outras ideias a sua crença.

→ Radical. Proveniente de ter raiz e de estar em contato com o mundo. Religioso, que tem uma base de convívio mútuo, não repele ou ignora o seu habitat de origem (Jo 17.14-17). Está no mundo para contagiá-lo por intermédio da presença de Cristo (Mt 5.13-16).

Um dos nomes mais usados no Novo Testamento para se referir aos seguidores de Jesus é o Discípulo. Este recebeu a ordem de Jesus Cristo: “Ide e fazei Discípulos… Batizando… Todo aquele que Crer e for Batizado será salvo”. O objetivo central da missão da Igreja de Cristo é fazer discípulos por todo mundo, pregando e batizando!

 

As doutrinas bíblicas têm início no nascimento da Igreja!

Podemos definir Doutrina Cristã como o “ensino ou instrução” que remontam as verdades fundamentais da Bíblia. Mas nesse primeiro momento, veremos a diferença entre três vocábulos importantes: Doutrina, Dogma e Credo:

Doutrina → Verdade revelada conforme as Escrituras Sagradas.

Dogma A declaração do homem a cerca da verdade apresentada em um credo.

Credo A narrativa de um grupo religioso quanto ao seu chamado e trabalho dentro de sua denominação.

De forma geral, a Igreja nasceu em Cristo Jesus, sob a verdade dos seus atos, obras e vida. Então, neste contexto, a Igreja assume a sua chamada após a subida do Senhor aos céus (At 1. 9-11): continuar o ministério de Jesus Cristo aqui na terra. Mas antes mesmo de obedecer e cumprir a ordem de Marcos 16.15, houve uma contra ordem:

Atos 1.4,5. A Igreja não poderia iniciar a obra de evangelização sem antes ser revestida pelo poder do alto, por isso, o nosso Senhor a ordenou a não se ausentar de Jerusalém até que esse milagre acontecesse.

A Igreja dos Atos dos Apóstolos foi uma igreja que conviveu em comunhão profunda de fé e amor (At 2.42-47). Esta comunhão fez com que a igreja tomasse decisões importantes que impactariam a missão evangelizadora desta instituição: escolha do apóstolo Matias (At 1); a instituição do diaconato (At 6).

A ansiedade por pregar era tamanha que se o Espírito Santo não tivesse incomodado os primeiros discípulos para escrever sobre o que acontecia, não teríamos o Evangelho escrito, pois a ordem era para pregar, a Igreja aguardava a volta do Senhor para aquela geração (Mt. 24.34).

O falar em outras línguas, o profetizar e a força da palavra anunciada faziam tremer os corações dos ouvintes, pois agora os discípulos sentiam-se aptos a toda boa obra.

Após a descida do Espírito Santo, nada mais os prendiam. Os discípulos ficaram corajosos; a perseguição e a morte já não mais os impedia de anunciar a Cristo. Podiam até mesmo fugir para preservar a sua integridade física, mas jamais parariam de anunciar a Cristo. Eles pregavam e anunciavam o Evangelho até os confins da terra.

A partir disso, nasceu outra necessidade da Igreja. Romper as barreiras de Jerusalém, alcançar a Judéia, Samaria e confins da terra. Em Jerusalém havia a promessa de que o salvador, o Messias, viria (Is 9.6). E se cumpriu em Jesus. Os judeus que se convertiam encontrava o cumprimento dessa promessa maravilhosa em Cristo (Rm 10.4). Por isso, neste primeiro momento, a igreja não tinha um entendimento muito claro da sua missão universal, de que Cristo não era exclusivamente dos judeus, mas Ele viera para o mundo todo (At. 11.15-18).

Contudo, a igreja já começara a anunciar o Evangelho aos quatros cantos do mundo por intermédio da igreja de Antioquia, a primeira igreja estrategicamente missionária. Esta igreja é responsável por enviar reforços aos novos cristãos de toda terra. Os grandes missionários Silas, Barnabé e o próprio apóstolo Paulo saíram desta importante igreja.

Agora tínhamos cristãos presente em muitas nações, pois eles iam pelo caminho pregando a Palavra, e por intermédio do Espírito, convertiam os corações de muitas pessoas.  A igreja avançava conforme o direcionamento do Espírito Santo sob as nações, povos e línguas (At. 8. 4-17).

 

LIÇÃO 2 

 

  1. UM CRESCIMENTO EM MEIO A PERSEGUIÇÃO.

 

A igreja com uma liderança espiritual, mas sem a liderança humana constituida.

Nascedouro de uma nova doutrina em meios aos diversos grupos políticos religiosos.

 

O cenário atual da Igreja quanto o cenário político Religioso.

Roma tinha se solidificado como o maior império que já existiu no mundo. Séculos antes doto o ocidente e grandes partes do oriente já estavam em suas mãos. Sua área habitada era de 85 mil kilômetros, quase 5 milhoes de kilômetros quadrados eram de dominio Romano, dividido hoje em trinta nações. Isto assegurou um período inédito de estabilidade em toda a região ao redor do mar mediterrâneo, uma parte da área ocidental era de lingua latina, porém, em toda parte era falado e ecrito a língua grega, devido a herança helenística, através das artes e dos filósofos. Era o período da Plenitude dos tempos de havia falado o apóstolo Paulo (Gl. 4.4).

Em Jerusalém havia ao mesmo tempo alguns grupos sócio-religiosos, na verdade politico-religiosos:

Fariseus, Saduceus, Escênios, Escribas, Sacerdotes, outros menos espressivos como zelotes, herodianos. Mas o que estes grupos tinham em comum: o livre acesso ao templo e as reuniões e outros pequenos grupos de “libertadores em nome de Deus” já tinham se levantados em Jerusalem (At 5.34-39).

Entretanto, com o grupo de Cristãos foi diferente. Com a ação do Espirito santo, os líderes religiosos mudavam a visão em referência ao comando religioso da época, e consideravam os cristãos como hereges, sem ao menos analisar a sua mensagem à luz Escrituras.

 

A ideia de um Filho de Deus morto e subir novamente aos céus era por demais repugnante aos filhos de Israel (At. 7.55, 57). Comer de sua carne e beber do seu sangue não ressoava bem em nenhum dos que habitavam em Jerusalém, exceto aqueles que ouviram a Palavra e de bom grado foram tocados pelo Espirito Santo de Deus.

 

Agora, com a ordem do Senhor, a Igreja ficou reunida em Jerusalém, pois ali era seguro. Havia os discípulos, os mestres, poderiam ficar vivendo e quardando a vinda do Senhor outra vez. Mas a vontade do Pai era que ela anunciasse a Palavra, e não somente vivendo somente em adoração.

Como uma avalanche torrencial, a perseguição cai sob os discípulos. Os responsáveis pela perseguição eram os líderes judeus que acabaram dividindo o templo e o seu culto a Deus com os cristãos, suas vítimas (At. 2. 46, 3.1, de início prisão At. 4.3, 21).

 

A morte de Estevão fez desencadear uma perseguição com tons de ameaças, pois os perseguidores identificaram meios de fazerem os discípulos testemunharem contra eles mesmos no que se referia a fé. Pois o anúncio dos crentes poderia ser visto como heresia, tanto que os líderes religiosos conseguiram a liberação de caça-los em outras cidades sob os domínios de Roma (At. 9.1-2).

A igreja com uma autoridade sobre humana, sem a contribuição direta de homens, tinha líderes espirituais e sua mensagem era dirigida pelo Espirito Santo (At. 8.28-30). Além disso, quanto mais os discípulos andassem, mais encontravam almas sedentas e os milagres testificavam que o Senhor estava no meio do seu povo (Mc 16.17). A Igreja crescia majestosamente e conquistava o coração do povo (At. 2.47).

 

Um resumo da Igreja nos tempos apostólicos!

→ A pregação de Cristo, a anunciação de João Batista (Mc. 1. 4-8); os discípulos do Caminho de Emaus (Lc. 24.13-15) e sua promessa (Mt 28.20). Tudo isto somado com a vontade de estar nos céus, mais a alegria de Deus ter enviado o Messias (Mt 16.16, Jo 11. 27).

 

→ At. 2.14. Em uma pregação Pedro ganha 3000 almas ao Senhor Jesus. Como isto aconteceu? A descida de seu Espirito Santo remonta João 1.50. Em Atos. 4.4 o relato era de quase 5000 almas, isto por uns homens iletrados, que ao serem interrogados, não tinham nada que poudessem lhes inpugnar prisão, qualquer ação seria uma agressão, pois não eram acreditáveis que aqueles homens pudessem fazer algo contra o templo e o sinédrio.

 

→ Os judeus para serem convertidos teriam de converter suas mentes e coração. A cerca de Deus eles eram extremistas, a imutabilidade de Deus era clara em suas mentes. Então a pregação deveria primeiro converter a cabeça do judeu, por isso Pedro usa Salmos 16.8-10 para falar do Messias que viria. Com sua mente aberta, agora por intermédio do Espírito Santo a Palavra atingia o coração do judeu.

 

→ A igreja não tinha local definido, era um grupo de Judeus sem um grande erudito em seu meio, uma visão ainda que sem definição de como seria a vida vindoura após a descida do Espirito Santo.

Sua pregação era as citações do Antigo Testamento, com as referências sobre a vinda deste que agora foi visto em Jerusalém e lhes ensinou um novo caminho. A comprovação da ressurreição (At. 13.31) e os sinais que se faziam todos os dias concretizavam aquela nova doutrina e dava a entender que o Senhor tinha aberto a porta da salvação a todos aqueles que fossem alcançados pela sua misericórdia (Lc. 14.21-24).

→ A nova doutrina, como eram chamados pelos Judeus os ensinos dos discípulos de Jesus, atacados com ultraje, mentiras e difamações (Mc. 1.27). O tempo passou, a igreja se solidificou, o grupo cresceu e as perseguições aumentava proporcionalmente pelos seus próprios patriotas que não cansavam de difamar, ao ponto de por em risco a integridade física dos seguidores de Jesus (At. 4.1,2).

→ At 5.1-3. A igreja era combatida de maneira interna e externa pelo diabo. Este tentava minar nas suas bases, o amor e a obediência a nova doutrina (At 5.12-15). Mesmo em risco os discípulos proclamavam a Palavra. Muitos os estimavam; outros, por medo não aderiam a esta doutrina.

 

 

LIÇÃO 3 

 

 

UM RESUMO PANORÂMICO HISTÓRICO

 

 Nasce a Igreja!

A Igreja reunida após a assunção de Cristo aos Céus.

“Ficai em Jerusalém até…”

 Um crescimento em meio a perseguição.

A igreja com uma liderança espiritual, sem a liderança humana constituída.

Nascedouro de uma nova doutrina em meios aos diversos grupos políticos religiosos.

 Os Primeiros 100 Anos de ministério. Ano 30 a 100 d.C.

Constituindo um sistema apostólico em meio às lideranças sócio-políticas imperiais.

 Os Primeiros 200 Anos de ministério.

Ano 101 a 200 d.C.

Os primeiros discípulos dos apóstolos e a necessidade de uma mesma língua religiosa.

 Consolidação de um ministério apostólico

 Credo Apostólico

Credo e Dogma da Igreja.

Os credos com seus respectivos autores, em datas e utilização das igrejas.

 Consolidação do credo apostólico.

Finalização de um mesmo credo em essência universal da Igreja apostólica.

 Nosso Credo Pentecostal 1

Utilização de “Em que Creem os pentecostais”  Cremos!

Artigos Mensageiros da Paz

 Nosso Credo Pentecostal 2

Utilização de “Em que Creem os pentecostais” Cremos!

Artigos Mensageiros da Paz

 Credo das Assembleia de Deus do Brasil.

Atualidades de nosso credo!

 

  1. CREDO APOSTÓLICO

 

Introdução ao Credo Apostólico[1]

por

Humberto Casanova e Jeff Stam

 

 O uso do Credo Apostólico

É essencial que os crentes entendam a necessidade de confessar a sua fé (Mt 10:32; Rm 10:9). Confessamos a nossa fé no batismo, na Ceia do Senhor, ao testificar aos incrédulos, ao dar bom testemunho na vida pública e privada, e ao recitar o Credo no culto de adoração. Toda confissão pública da fé deve ser feita com sinceridade, e deve vir acompanhada de uma vida de compromisso com os valores do reino de Deus.

Até aqui todos estamos de acordo, mas ocorre que na América Latina algumas igrejas evangélicas não dão muito valor ao Credo Apostólico. Não se interessam em estuda-lo, nem em confessar a sua fé através dele. Esta atitude surge de três erros. Primeiro, as pessoas se enganam ao identificar o Credo com a Igreja Católica Romana, crendo que é um documento inventado por ela. Segundo, como a Igreja Católica Romana tem a prática de conferir autoridade divina a muitos de suas tradições, então, se teme que ela conceda tanta importância ao Credo dos apóstolos, que se lhe estime na mesma altura que a Bíblia. Terceiro, uma boa parte da igreja evangélica carece de consciência histórica. Se existe algum interesse pelo passado, este se concentra no período da Igreja primitiva, a qual se pretende chegar passando por toda a história que media entre nós e a Igreja do livro de Atos.

Esta falta de interesse pode ser superada se considerarmos que ao usar o Credo, o fazemos junto com a Igreja “universal” ao longo de toda a sua história. A Igreja vem usando, quase desde o seu começo, muito antes que existisse o romanismo que teve a sua origem com o papado. Mas, este estudo provará que o Credo não é mais do que um resumo do que a Bíblia ensina. Ainda que não seja errado que uma denominação conceda a um credo caráter de autoridade, com todos os demais cristãos sabemos que somente a Bíblia possui autoridade final e divina. O Credo está subordinado a Palavra de Deus. Então, é importante que os crentes percebam o quanto o Credo provê um maravilhoso recurso para confessar os pontos principais de sua fé.

 

Os nomes do Credo

Por ser a confissão de fé mais popular do Cristianismo, tem-se chamado simplesmente “o Credo”. A palavra Credo é realmente o verbo com o qual começa o Credo Apostólico no latim, o qual declara: Credo in Deum Patrem . No português a mesma oração se repete: Creio em Deus Pai. Assim que o termo Credo significa apenas Creio , ou seja, “eu creio”, eu confesso a minha fé de forma pública (cf. 2 Co 4:13). Daí, um credo que não é outra coisa que uma forma de se confessar as nossas crenças básicas (Mt 10:32; Rm 10:8-10).

É chamado de “Símbolo Apostólico”. Este nome foi dado quando as heresias começaram a minar a Igreja. A palavra Símbolo vem do grego, e significa: “marca distintiva, santo e sinal”. O Símbolo Apostólico se converte numa marca da doutrina apostólica e, portanto, a marca do cristão e da Igreja verdadeira. Rufino (falecido em 410 d.C.) disse que o Credo foi dado como uma marca contra os falsos apóstolos, e acrescenta: “assim, os apóstolos prescreveram esta fórmula como sinal e penhor pelo qual reconhecer quem realmente prega verdadeiramente a Cristo, segundo a regra apostólica.”

Também recebeu o nome de “os doze artigos de fé”. A divisão em 12 artigos obedece à lenda de que cada um dos 12 apóstolos escreveu um artigo. Todavia, é mais apropriado esquecer deste título e dividir o Credo em três partes, segundo a sua ordem trinitária.

Além do mais, lhe é concedido o qualificativo de “Apostólico”. Foi Rufino (cerca de 307-309 d.C.) o primeiro a transmitir por escrito a lenda de que, no dia anterior à partida para pregar a todas as nações, os apóstolos colocaram-se em comum acordo quanto à norma de sua pregação. E foi assim que inspirados pelo Espírito compuseram o Credo. Mas adiante Ambrósio (bispo de Milão, 340-397 d.C.) afirmou que o número de 12 artigos obedece ao número dos apóstolos. Finalmente, no século VI um sermão de Pseudo-Agostinho termina afirmando que a cada apóstolo correspondeu escrever um artigo. Esta lenda deve ser rejeitada. O Credo não é apostólico porque foi escrito pelos apóstolos, mas por ser a sua doutrina.

 

LIÇÃO 4 

 

Qual a origem do Credo Apostólico?

As regras de fé ou confissões não são uma novidade inventada pela Igreja Católica Romana, ou no período moderno. Os judeus usavam Deuteronômio 6:4-9 como a sua confissão de fé, e a influência deste credo (que eles chamavam o shema ), reflete claramente no Novo Testamento (cf. Rm 3:30; 1 Co 8:4-6; Gl 3:20; Ef 4:6; 1 Tm 2:5; 3:16; 2 Tm 2:8; 1 Pe 1:21; 3:18,22). O Novo Testamento também nos entrega uma lista de pessoas que confessaram a sua fé: João Batista (Jo 1:29, 34), Natanael (Jo 1:49), os samaritanos (Jo 4:42), os discípulos (Jo 6:14,69; cf. Mt 14:33), Marta (Jo 11:27), Tomé (Jo 20:28). Todavia, a confissão mais conhecida foi a que Pedro formulou quando declarou que Jesus era “ o Cristo, o Filho do Deus vivo ” (Mt 16:16).

Por dois motivos se fez necessário o surgimento do Credo. Primeiro, a expansão missionária da Igreja, fez obrigatório o surgimento de uma declaração de fé básica para instruir aos candidatos ao batismo (Mt 28:19). Segundo, a heresia obrigou a Igreja de definir claramente a sua fé. A expansão da fé cristã colocou a Igreja em contato com muitas culturas e filosofias pagãs que ameaçavam introduzir-se no meio do povo de Deus. Por isto, desde o principio percebeu-se a importância de preservar e confessar o ensinamento dos apóstolos, o que a igreja antiga fez por meio de confissões e credos. O perigo é denunciado claramente em Hb 4:14; 10:23; 1 Jo 2:22-23; 4:1-6,15; 5:1,5 onde se reafirma e exige confessar a fé, ante o confronto com a heresia e/ou a perseguição.

Não sabemos quem ou que pessoas escreveram o Credo Apostólico, mas não há dúvida de que a sua origem remonta a tempos antiqüíssimos. Por exemplo, tão antigo como o ano 107 d.C., Inácio (bispo de Antioquia) expunha a doutrina verdadeira contra a heresia docética (veja mais a frente sobre a forma trinitária do Credo). E para expor a regra de fé da Igreja usou as seguintes palavras:

 

De maneira que, sejam surdos quando alguém vos fale sem Jesus Cristo, o qual foi da linhagem de Davi, de Maria, quem verdadeiramente nasceu, 
comeu como também bebeu, foi verdadeiramente perseguido sob Pôncio Pilatos, foi verdadeiramente crucificado e morreu tendo por testemunhas os céus, a terra e o que há sob a terra; quem também verdadeiramente ressuscitou dos mortos, quando o seu Pai o levantou.
Seu Pai, a sua semelhança, a nós os que nele cremos, nos ressuscitará da mesma forma em Cristo Jesus, sem o qual não temos vida verdadeira.” 
(Carta aos Tralianos, ix.1-2)


Justino (cerca de 100-165 d.C.) outro mártir antigo, disse em sua Apologia (I.61.10 ss ) que entre os cristãos no batismo se pronuncia “...em nome do Pai do universo e Deus soberano... em nome de Jesus Cristo, que foi crucificado sob Pôncio Pilatos, e em nome do Espírito Santo.” Também Irineu (bispo de Lyon, cerca de 175-195 d.C.) disse em sua obra Adversus haereses (I.x.1-2) que:

 

“A Igreja... recebeu dos apóstolos e seus discípulos a fé em um Deus, Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra... e em um Espírito Santo, o qual através dos profetas proclamou... e no nascimento virginal, a paixão, e a ressurreição de entre os mortos, e a ascensão em carne ao céu do amado Cristo Jesus, nosso Senhor, e seu retorno do céu na glória do Pai, para recapitular toda as coisas em um e ressuscitar toda a carne de toda a raça humana.”

 

Estas são amostras de que a linguagem do Credo estava na boca da Igreja desde os tempos antigos. Homens como Irineu (cerca 175-195 d.C.), Tertuliano (cerca 160-215 d.C.) conheceram o Credo, afirmando que procedia do tempo apostólico. Isto é confirmado pelas versões do Credo que podem ser vistos nos escritos de Inácio (morto cerca de 98-115 d.C.), Justino (cerca 100-165 d.C.), Hipólito (cerca 215 d.C.), Cipriano de Cartago (250 d.C.), Novatiano de Roma (250 d.C.), Orígenes (185-254 d.C.) e Agostinho (400 d.C.). O Credo de Nicéia (325 d.C.) nada mais é do que uma elaboração mais detalhada do Credo Apostólico.

O conteúdo do Credo é inspirado diretamente na doutrina apostólica. Uma comparação entre os textos da Escritura demonstrará que a dependência chega a escolher até mesmo as palavras. Que a linguagem do Credo estava na boca da Igreja primitiva é possível perceber claramente pelos textos de Rm 1:3-4; 8:34; 1 Co 15:1-4. De fato, a confissão da Igreja era simplesmente a pregação da Igreja (cf. At 2:22-36; 3:15; 4:10; 5:30-31; 9:20; 10:36,39-40; 17:2-3,31; 18:5,28; 26:23). Por isto, tem suficiente direito de ser chamado Apostólico. Calvino não se preocupava em saber quem era o seu autor. Para ele o importante era que: “o mais importante que devemos saber é que nele se encontra resumida e de modo claro toda a história de nossa fé e que nada contêm nele que não se possa confirmar com sólidos e firmes testemunhos da Escritura” (Institutas, II.xvi.18).

 

O texto do Credo Apostólico

As cópias mais antigas que possuímos são de Rufino (em latim 390 d.C.), e a de Marcelo (em grego, 341 d.C.). Estas duas versões são mais breves que o Credo que conhecemos hoje. Falemos primeiro do texto de Marcelo, que foi o bispo de Ancira (capital da Galácia). Aproximadamente nos anos 337-341 d.C., Marcelo escreveu uma carta ao bispo Júlio I, com o fim de provar-lhe a sua ortodoxia. É com esta finalidade que inclui nela o que é a versão mais antiga do Credo Apostólico. Toda a carta está em grego, sendo que nesse tempo era a língua oficial da igreja. O Credo de Marcelo é claramente trinitário. Todavia, a parte cristológica é muito mais ampla que a referente ao Pai e ao Espírito. A estes três artigos trinitários básicos, Marcelo lhes acrescenta outros. O texto mais breve de Marcelo diz assim:

 

Creio em Deus todo-poderoso 
E em Cristo Jesus, seu único Filho, nosso Senhor, 
Concebido pelo Espírito Santo e Maria virgem, 
Crucificado sob Pôncio Pilatos, e sepultado, 
E ao terceiro dia ressuscitou dos mortos, 
Subiu ao céu e está sentado a destra do Pai, 
De onde virá para julgar aos vivos e mortos; 
E no Espírito Santo, 
Una Igreja santa, 
O perdão dos pecados, 
A ressurreição do corpo, 
A vida eterna.”

 

LIÇÃO 5 

 

No presente estudo usaremos a versão que é conhecida hoje, e é aceita por toda a Igreja cristã em todo o mundo, e que chamaremos de “Texto Recebido” (650 d.C.). Nas lições usaremos referência a outras versões mais antigas, como as de Marcelo e Rufino. Em sua divisão tradicional de 12 artigos, o Texto Recebido declara:

 

  1. Creio em Deus Pai Todo-poderoso, o Criador dos Céus e da terra. 
    2. E em Jesus Cristo, o seu único Filho, o nosso Senhor; 
    3. que foi concebido pelo Espírito Santo, nasceu da virgem Maria; 
    4. padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; 
    5. desceu aos inferno, e ao terceiro dia ressuscitou dentre os mortos; 
    6. subiu ao céu e está assentado a direita de Deus Pai Todo-poderoso; 
    7. dali virá para julgar os vivos e os mortos. 
    8. Creio no Espírito Santo; 
    9. na santa Igreja católica, a comunhão dos santos; 
    10. o perdão dos pecados; 
    11. a ressurreição do corpo 
    12. e a vida eterna. Amém.”

  

A forma Trinitária do Credo

Foi o Concílio de Nicéia (325 d.C.) que formulou uma posição conclusiva do dogma da Trindade. E ainda que o Credo Apostólico não entra na discussão de forma detalhada quanto a cada pessoa da Trindade, confessa a fé em um Deus Trino. O Credo está claramente dividido em três partes: O Pai e a nossa criação, o Filho e a nossa redenção, o Espírito Santo e a nossa santificação. Assim, tem se dividido o seu conteúdo em 12 artigos. Deve ser notado que a parte referida ao Filho é a mais detalhada. A metade de seus 12 artigos está dedicada ao Filho e sua obra da redenção. Tal é a importância de Jesus na teologia cristã como o centro de nossa salvação. A primeira vista, pareceria que a seção que fala do Espírito Santo foi a menos informativa, mas a verdade é que a Igreja é vista em íntima relação com a obra do Espírito.

Desde o tempo apostólico, a Igreja teve que lidar com falsas doutrinas, percebendo que era urgente produzir uma declaração de fé que reprimisse o desenvolvimento das falsas doutrinas, especialmente no que concerne a Santíssima Trindade. Por exemplo, houve um movimento chamado arianismo (cerca 318-381 d.C.), que afirmou que o Filho não era Deus, mas que havia sido criado pelo Pai. Outra seita também pregava que o Filho não era Deus, mas que era uma espécie de emanação procedente da divindade. Assim, criam que todo o mal se encontrava no mundo material, enquanto que tudo o que era bom e belo estava no mundo espiritual. Seguindo esta linha de pensamento, concluíram que o Filho de Deus não poderia fazer-se homem, porque isto lhe exigiria assumir um corpo material mal. Isto os levou a dizer que o Filho teve um corpo que somente parecia ser um corpo físico, mas que na realidade não era (docetismo), e disseram que o Filho possuiu um homem comum chamado Jesus em seu batismo e depois o abandonou antes de sua crucificação. João teve que enfrentar estas idéias (1 Jo 4:1-6,15). Foi por isto que o Credo teve que formular a sua doutrina com base na estrutura trinitária.

 

 LIÇÃO 6 

  1. CREDO DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS

O "Cremos" é uma declaração de fé concisa e sintetizada, que equivale aos Credos elaborados e presentes na Grande Tradição Cristã.

Sua origem nas Assembleias de Deus no Brasil remonta ao ano de 1938, quando o missionário norte-americano Theodoro Stohr, que atuava no interior de São Paulo, na edição do Mensageiro da Paz da segunda quinzena de outubro, p. 2, publicou um artigo traduzido por ele, sob o título "Em que crêem os pentecostais (no evangelho integral)", onde um "Cremos" foi citado. As razões para a publicação do artigo de Sthor foram as constantes difamações, e as concepções errôneas acerca do movimento pentecostal.

A partir da 1ª edição de junho de 1969, p. 3, o "Cremos" passou a ser publicado no jornal Mensageiro da Paz. Na ocasião, o pastor Alcebíades Pereira de Vasconcelos era o diretor de publicações da CPAD (Casa Publicadora das Assembleias de Deus) e diretor do Mensageiro da Paz, função assumida em 10 de janeiro de 1969, ao substituir o jornalista Emílio Conde.

Os motivos e a decisão (ou resolução oficial) para a publicação do "Cremos" no Mensageiro da Paz até o momento são desconhecidos.

Entre as décadas de 60 a 80 houve várias discussões em torno da elaboração, no âmbito da CGADB, de um Credo assembleiano. As tentativas esbarravam sempre na postura reacionária de alguns obreiros, que alegavam ser um Credo coisa da igreja Católica e das igrejas protestantes Históricas e Reformadas.

Acredito que esta postura reacionária está diretamente associada com o antagonismo e resistência à educação teológica formal, que por décadas imperou nas Assembleias de Deus no Brasil.

Particularmente, sou a favor não apenas de um Credo nas Assembleias de Deus no Brasil, mas, de um documento mais amplo (Confissão de Fé), para minimizar a crise de identidade doutrinária que nos assola. [documento este que já foi elaborado pela comissão de doutrina da CGADB e será votado na AGO de abril de 2017.]

 

O "Cremos" contido no artigo de T. Stohr, em questões doutrinárias declara o seguinte:

 

"[...] O nosso fundamento é a fé, na salvação pela obra expiatória de Jesus Cristo, como nosso substituto no calvário. Igualmente, o movimento pentecostal não admite o fanatismo das predestinações e salvação incondicional; mas, se adstringe à Palavra de Deus, aceitando e pregando a salvação pelo sangue de Jesus; e o batismo no Espírito Santo; a cura divina, e a anunciação da segunda vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo. [...] Aceitamos a santa inspiração das Escrituras; reconhecemos a degradação moral e espiritual do homem, pelo pecado; sabemos, sim, que todos estavam destituídos da glória de Deus, mas que, aos que aceitam o sacrifício de Cristo e buscam o arrependimento, Deus tem feito participantes das bênçãos perdidas pela desobediência. Cremos em um único Deus verdadeiro, manifesto em três pessoas distintas: Pai, Filho e Espírito Santo: todos, com o mesmo poder, a mesma glória e majestade, porém, com ofícios diferentes. Quanto aos mandamentos do Evangelho, cremos e praticamos o batismo de imersão, não como uma ordenança salvadora, mas, sim, como um ato de obediência, fé e testemunho público e raso, da transformação que em nós se operou, bem como da nossa disposição de sepultar a velha criatura. Cremos na ceia do Senhor, em cuja presença participamos do pão e do vinho, anunciando a Sua vinda (1 Co. 11:26). Cremos que a unção com azeite, nos enfermos, em nome do Senhor, lhes traz cura física (Tg 5.14-15; Mc 6.15-18). Cremos, sobretudo, no novo nascimento, como obra divina e sobrenatural, a qual transforma o pecador, num homem são, dando-lhe poder para viver de modo puro e agradável a Deus, em Cristo. Cremos na vida santa dos discípulos (mesmo contemporâneos nosso) [...]."

 

O atual "Cremos" das Assembleias de Deus no Brasil, publicado no Mensageiro da Paz desde 1969, afirma:

 

Cremos,

 

1) Em um só Deus, eternamente subsistente em três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo (Dt 6.4; Mt 28.19 e Mc 12.29);

2) Na inspiração verbal da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé normativa para a vida e o caráter cristão (2Tm 3.14-17);

3) Na concepção virginal de Jesus, em sua morte vicária e expiatória, em sua ressurreição corporal dentre os mortos e sua ascensão vitoriosa aos céus (Is 7.14; Rm 8.34 e At 1.9);

4) Na pecaminosidade do homem que o destituiu da glória de Deus, e que somente o arrependimento e a fé na obra expiatória e redentora de Jesus Cristo é que pode restaurar a Deus (Rm 3.23 e At 3.19);

5) Na necessidade absoluta do novo nascimento pela fé em Cristo e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus, para tornar o homem digno do Reino dos Céus (Jo 3.3-8);

6) No perdão dos pecados, na salvação presente e perfeita e na eterna justificação da alma recebidos gratuitamente de Deus pela fé no sacrifício efetuado por Jesus Cristo em nosso favor. (At 10.43; Rm 10.13; 3.24-26 e Hb 7.25; 5.9);

7) No batismo bíblico efetuado por imersão do corpo inteiro uma só vez em águas, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, conforme determinou o Senhor Jesus Cristo (Mt 28.19; Rm 6.1-6 e Cl 2.12);

8) Na necessidade e na possibilidade que temos de viver vida santa mediante a obra expiatória e redentora de Jesus no Calvário, através do poder regenerador, inspirador e santificador do Espírito Santo, que nos capacita a viver como fiéis testemunhas do poder de Cristo (Hb 9.14 e 1Pd 1.15);

9)
 No batismo bíblico no Espírito Santo que nos é dado por Deus mediante a intercessão de Cristo, com a evidência inicial de falar em outras línguas, conforme a sua vontade (At 1.5; 2.4; 10.44-46; 19.1-7);

10) Na atualidade dos dons espirituais distribuídos pelo Espírito Santo à Igreja para sua edificação, conforme sua soberana vontade (1Co 12.1-12);

11) Na Segunda Vinda prémilenial de Cristo, em duas fases distintas. Primeira — invisível ao mundo, para arrebatar a sua Igreja fiel da terra, antes da Grande Tribulação; segunda — visível e corporal, com sua Igreja glorificada, para reinar sobre o mundo durante mil anos (1Ts 4.16, 17; 1Co 15.51-54; Ap 20.4; Zc 14.5 e Jd 14);

12) Que todos os cristãos comparecerão ante o Tribunal de Cristo, para receber a recompensa dos seus feitos em favor da causa de Cristo na terra (2Co 5.10);

13)
 No juízo vindouro que recompensará os fiéis e condenará os infiéis (Ap 20.11-15);

14)
 E na vida eterna de gozo e felicidade para os fiéis e de tristeza e tormento para os